Índia- Entrevista com uma Brasileira casada com um Indiano

Índia- Entrevista com uma Brasileira casada com um Indiano

Fiz uma entrevista muito especial com a Juliana Paula, 35 anos, ela é tradutora/intérprete (japonês, inglês e português), casada a 3 anos, mora na Índia (Mumbai) e é autora do Blog: Tabibito Soul.
Na verdade foi mais uma conversa descontraída, onde pergunto várias curiosidades sobre como é estar casada com um indiano. Sei que tem muitas dúvidas sobre esse assunto, espero que a experiência da Juliana possa sim te auxiliar a entender mais sobre esse universo.

Namastê Mundo- Como era a sua vida aqui no Brasil antes de ser casada?

Juliana- No Brasil, eu trabalhava como professora de língua japonesa e em 2007, após prestar uma prova do governo japonês, fui selecionada para trabalhar como intérprete e tradutora em escritórios públicos e escolas no Japão. No Brasil, eu morava no Rio de Janeiro e, no Japão, morei nas provincias de Shiga e Aichi.


Namastê Mundo- Como conheceu o seu esposo?

Juliana- Nos conhecemos online, através de um site para praticar idiomas.

Namastê Mundo- Como foi o processo do namoro até o casamento? (Quanto tempo, namoraram a distância? Ele vinha ao Brasil te ver? Você ia para a Índia? (Coisas boas, dificuldades…)

Juliana- Foi rápido, muito rápido. Começamos a nos comunicar em julho, nos encontramos pela primeira vez em setembro, conheci a família dele na Índia em dezembro do mesmo ano e, nos casamos na Índia 3 meses depois, para onde me mudei em definitivo. Na época eu morava no Japão e, ele, na Índia. A maior dificuldade foi arranjar a papelada para o casamento, dar entrada na papelada aqui na Índia e fazer o juiz indiano aceitar nosso pedido de casamento.

Namastê Mundo- Como sua família e amigos reagiram ao saber do seu relacionamento? E depois ao saberem que você ia se casar e mudar para a Índia?

Juliana- Minha mãe ficou feliz e fez questão de nos dar uma festa de casamento em 2014, quando meu esposo visitou o Brasil pela primeira vez. Porém, acho que ela esperava que eu fosse escolher o Brasil, e não a Índia para morar.

Namastê Mundo- Em que momento você foi apresentada a família dele? Desde o início do namoro? Como foi essa relação entre você e a família dele e ele com a sua família e amigos?

Juliana- Sim, desde o início, no primeiro mês, se não me engano, ele já tinha falado de mim para sua família e nos colocou frente a frente na câmera. Não é tarefa fácil a noiva (mesmo indiana) ser aceita pela família do marido. O pai dele foi contra nosso casamento (nem apareceu na cerimônia) e só começou a falar comigo após mais de 1 ano de casada. Hoje, a família dele me trata com muito carinho e admiram o fato de eu ter “sobrevivido” à Índia. Já a minha família, tratou meu esposo como se fosse um filho desde o primeiro dia e ele se sentiu muito querido e amado em todos os lugares e casas que visitou.

Namastê Mundo- Você se casou no Brasil e na Índia? Nos conte como foi o processo civil no Brasil e na Índia e também se teve o religioso.

Juliana- Nos casamos no civil e religioso na Índia e, depois, registramos no consulado brasileiro em Mumbai. No Brasil, quando visitamos minha família em 2014, ganhamos uma bela festa de casamento. Muitos indianos casam apenas no religioso e recebem um certificado do templo ou mesquita (caso sejam muçulmanos). Porém, ele não vale de nada para nós, como estrangeiras. Portanto, temos que casar no cartório e apresentar entre outros documentos, o atestado de solteira, que é uma carta emitida pelo consulado brasileiro provando que você é livre para contrair matrimônio na Índia. Só aceitaram me casar depois que apresentei tal carta.


Namastê Mundo- Como é estar casada com um indiano? (Pontos positivos e negativos).

Juliana- Estar casada por si só já considero um desafio, ainda mais porque eu morei sozinha muitos anos no exterior e sempre fui muito independente. Não dá para generalizar os indianos, porque tudo depende de onde nasceram, como foram criados, sua religião, casta, etc. Mas, de modo geral, posso dizer que eles prezam muito o relacionamento e a família e se esforçam para que o casamento dure bastante. Além disso, acho os maridos indianos bem participativos, pois eles vão aos mercados, dão palpite nas compras (seja de comida ou roupas), etc. Além disso, eles pensam muito no futuro da família e adoram ser responsáveis pela economia da casa. Bom para mim, se não gasto tudo em viagens e livros!(rs) Em relação ao ponto negativo, eu diria que é também o fato de pensarem e darem importância demais ao dinheiro. Meu esposo nem é tanto se comparado com outros indianos, mas mesmo assim, ainda senti a diferença no início do casamento. Outro ponto negativo é serem dramáticos demais e fazerem tempestade em copo d água. Mas, isso, com o tempo, a gente aprende a lidar.

Namastê Mundo- Qual foi a primeira vez que você veio a Índia? Como é morar na Índia? Quais suas maiores dificuldades? Como foi a adaptação?

Juliana- Foi em dezembro de 2012, para conhecer a família dele. Mas, aproveitei para passear bastante pelo país também. Morar na Índia não é mesmo para os fracos. Acredito que minha adaptação se deva ao fato de eu ter mergulhado de cabeça e ter vindo com o sentimento de que aqui seria minha nova casa e eu teria que me adaptar. Morar na Índia é muitas vezes um misto de paixão, amor, raiva, revolta…é como um casamento! A maior dificuldade, para mim, é não poder ser gentil ou sorridente com todos, porque acabo sendo mal interpretada. E, aprender a não sorrir é algo bem difícil para quem está acostumado a sorrir o tempo todo.

Namastê Mundo- Como é a relação entre você e a família dele? Na Índia devido a diferentes dialetos, costumes, a imposição familiar, a interferência de todos em tudo…Como é essa relação no dia a dia? Eles possuem alguma restrição ou hábito que você teve dificuldade de assimilar no início, e quanto à religião)…

Juliana- Nos damos bem sim, mas nos vemos pouco, já que moramos em estados diferentes. A língua ainda é, sim, uma barreira, se bem que já melhorei bastante desde que cheguei. Eu sempre digo: cair nas graças de uma sogra indiana é o segredo para o sucesso do seu casamento. Se ela gostar de você, ela vai fazer de tudo para você, vai te tratar como uma filha e vai te aconselhar em muitas coisas. Mas, se não gostar, sua vida vai ser o inferno na terra! Minha família indiana é toda hindu e vegetariana (menos o meu esposo, que adora frango, peixe…). Eles não comem nem ovo, por exemplo e, quando vêm nos visitar, temos que dar sumiço em qualquer coisa que não seja vegetariana. E, quando vamos visitá-los, viramos vegetarianos. A maior dificuldade mesmo foi me adaptar a algumas tradições, como o uso do véu (dupatta) na frente dos mais velhos e pessoas do sexo masculino que visitam à casa.


Namastê Mundo– O que mais sente falta do Brasil?

Juliana- Da comida e da minha mãe. Às vezes, sinto falta da educação das pessoas, como elas tratam às outras com educação, independente de outros fatores.

Namastê Mundo- E quanto aos planos de ter filhos, você já sofre alguma pressão? Principalmente para ter um menino?

Juliana- Minha família, como toda família indiana, aguarda ansiosamente pelo nosso primeiro bebê, mas entendem que nosso ritmo de vida é completamente diferente do ritmo deles, no interior, pois somos um casal que trabalha. Então, apesar do desejo, eles são bem compreensíveis.

Namastê Mundo- Em questão a religião, teve alguma dificuldade? Eles são hindus? Eles respeitam sua religião ou você teve que se converter?

Juliana- Não enfrento nenhum problema em relação a nenhuma prática religiosa deles e participo junto, também. Porém, caso morássemos juntos, o maior problema seria a alimentação, porque eles são vegetarianos e eu adoro uma carninha! Em relação a conversão, não há conversão para o hinduísmo, porque eles não crêem nisso. Se você não é nascido de um pai hindu, não pode ser um hindu. Você pode seguir a religião, mas não será nunca considerado um autêntico hindu.

Namastê Mundo- Quanto ao custo de vida, saúde, educação, segurança, o que você pode falar sobre esses pontos comparando a sua vida no Brasil.

Juliana- Muita gente se espanta quando digo isso, mas todas estas coisas são muito mais acessíveis na Índia do que no Brasil. Claro que a desigualdade social é enorme no país, mas a qualidade da medicina e educação, eu considero superiores à do Brasil. Segurança, então, nem se fala! Aqui a gente pode andar tranquila com nossos celulares, usar jóias de ouro, ter os melhores carros e eletrônicos, que ninguém vai te incomodar ou roubar. Muito se fala na mídia internacional sobre a segurança da mulher aqui. Há estupros sim, é verdade, mas se analisarmos numa perspectiva internacional, comparando com outros países, incluindo os EUA e África do Sul, veremos que os números de estupros neste países são muito mais altos do que na Índia. Basta fazer uma procura no Google.

Namastê Mundo- Seu esposo é ciumento? Você trabalha fora? Como você percebe essa relação entre os homens e mulheres no meio em que você convive. Teve ou tem alguma dificuldade, preconceito, machismo?

Juliana- Sim, o homem indiano é ciumento e possessivo e o meu, não poderia ficar fora da lista. Sim, trabalho fora desde meu primeiro ano na Índia. Eu sempre digo que a Índia é uma colcha de retalhos no que diz respeito à cultura. No escritório onde trabalho, por exemplo, homens e mulheres conversam numa boa, saímos para jantar fora em grupo, contamos piadas, damos risadas…Mas, por exemplo, esta mistura é impensável em regiões mais tradicionais, onde a mulher não deve nem se dirigir a um homem que não conhece. O machismo é presente sim, e talvez isso seja o que mais desanima as estrangeiras que vêm para cá. Acho que o pior machismo é o praticado pelas mulheres.

Namastê Mundo- Você deve sempre ser questionada por que um indiano? O que você responde e como lida com isso? Que conselho você dá para todas mulheres que estão em um relacionamento com um estrangeiro, ou que sonham em viver um amor como esse?

Juliana- Pois é…é algo que não estava sob o meu controle. Sempre tive vontade de visitar a Índia, mas jamais imaginei que fosse me casar com alguém daqui e morar aqui! Porém, sei que desde que a bendita novela Caminho das Índias apareceu, houve um aumento considerável no número de relacionamento entre indianos e brasileiras, alguns, claro, terminando de forma bem traumática. Acho difícil o relacionamento entre os dois, devido ao abismo cultural. No início do namoro (online ou não), todos os indianos são melosos, românticos, dizem e fazem coisas que a maioria dos homens brasileiros não fazem há séculos, como perguntar como foi o dia dela, como está a família, falam sobre casamento e filhos…Eu mesma, nunca me encaxei no padrão brasileiro para relacionamentos e, com um parceiro indiano, posso dizer que descobri minha cara-metade! Mas, não adianta ficar só com a cabeça nas nuvens, porque a realidade é muito diferente e nem sempre é como a maioria das brasileiras esperava. Muitas achavam que iam viver uma estória como a da Maya da novela ou de algum filme de Bollywood, mas quando chegaram aqui, perceberam que jamais conseguiriam se adaptar e acabaram voltando correndo para o Brasil ou vivendo aqui, deprimidas. Tenho um vídeo no meu canal do Youtube intitulado “A brasileira que chora”, onde faço um alerta a todas as brasileiras que pretendem dar este ousado passo. E, sugiro a todas as moças que estejam lendo esta entrevista, que acessem e assistam o vídeo.

 

Namastê Mundo- Agradeço imensamente a Juliana por ter dividido com todos nós a sua história, desejo mais e mais felicidades a esse casal. Como podemos ver não existe fórmulas mágicas. Tudo na vida exige dedicação e em uma parceria como no casamento essa dedicação diária não é diferente. Cada história é única e você tem que entender o que se passa no seu relacionamento e com a pessoa que você está se relacionando, se já é difícil se relacionar com alguém da sua cidade imagina de outro país, outra cultura, outro idioma. Tudo isso deve ser levado em conta. Tudo na nossa vida são escolhas, e só cabe a nós a nossa felicidade, não coloque a responsabilidade da sua felicidade nas mãos de outra pessoa. Saiba escutar a sua intuição, equilibrar seus sentimentos e razão. Pés nos chão, muita paciência, respeito, compreensão e vontade para que dê certo é o caminho para qualquer relacionamento.
Gostou da entrevista? Espero que sim, deixe seu comentário, pergunta…
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Muita luz e até a próxima publicação.
Namastê😊🙏🏻

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Índia- O enigma de balançar a cabeça

Índia- O enigma de balançar a cabeça

Você já deve ter observado em novelas, filmes indianos o balançar das cabeças, mas quando você vai a Índia você começa a ver muitas pessoas fazendo esse gesto, que pode significar várias coisas: sim, não, talvez, estou te ouvindo, não vai dar, sim continue, nem pensar … Hahah Aqui o balançar de cabeça vai muito além do nossos velhos conhecidos sim e não. No início é indecifrável!

Na Índia eles possuem mais movimentos e o pescoço parece uma mola! Haha

A verdade é que você vai ficar sem entender nada, muito confuso conversar com um indiano e ele começar a balançar a cabeça, você não sabe se é sim, se é não.

Se vai pedir uma informação então, piorou! Uma negociação, … chega a ser engraçado.

Quase todos fazem isso e já é tão deles que aos poucos até você por conviver tanto começa a pegar a mania da cabecinha. É sério, um belo dia você também começa a entrar no clima, automático.

Como todo início você vai ficar perdido, mas aos poucos você começa a entender. De qualquer forma o balançar de cabeça é uma forma de comunicação não verbal que na Índia será sempre um enigma. Hahaha

Achei esses vídeos na Internet que explicam melhor o significado de cada balançar, ou não…  Hahaha

Índia- O enigma de balançar a cabeça vídeo 1

 

Índia- O enigma de balançar a cabeça vídeo 2

 
Índia- O enigma de balançar a cabeça vídeo 3

 
Até mais pessoal, Namastê.

Índia-Feliz (Rakhi) Raksha Bandhan 2016 

Índia-Feliz (Rakhi) Raksha Bandhan 2016 

Raksha Bandhan (“ligação de proteção”) ou Rakhi é um festival comemorado por toda a Índia e em alguns países vizinhos, como Nepal. É celebrado no dia de lua cheia do mês Shravan ou seja, no dia Shravana Poornima do calendário hindu. Que esse ano será no dia 18 de agosto, amanhã.O Rakhi celebra o verdadeiro vínculo de amor entre irmãos. Hoje em dia o festival não é mais apenas entre irmãos de sangue, mas também entre primos, vizinhos, amigos queridos.

Nesse dia a irmã amarra no pulso do irmão um cordão sagrado de seda, algodão, prata ou ouro “rakhi” ao pulso de seu irmão, simbolizando a ligação sagrada entre eles pelo resto da vida. Esse cordão dá a ele força e o protege contra o mal. O irmão faz a promessa e tem o dever de proteger a irmã de todos os problemas, de qualquer circunstância difícil na vida. De ampará-la e estar do seu lado nos bons e maus momentos. A irmã irá sempre orar pelo bem estar e saúde do irmão.

Também é um dia ótimo ao comércio já que o irmão dá algum presente a irmã.

Nesse dia muitos indianos se escondem, não vão ao colégio, faculdade, serviço, pelo medo de sua amada (a menina que ele gosta) o colocar o cordão sagrado, porque depois disso eles são apenas irmãos, nada de romance.

É um dia de muita festa, música, oração, celebração e claro comidas típicas.
Happy Raksha Bandhan! Namastê

Índia- O que não devo fazer na Índia

Índia- O que não devo fazer na Índia

Como já sabemos cada país tem sua cultura e algumas vezes vamos para um lugar sem saber ou sem mesmo pesquisar com antecedência os costumes. Como as pessoas lá se comportam? Vou me adaptar? Posso fazer o que faço aqui no meu país? As vezes querendo agradar acabamos errando e o que seria normal para nós pode causar estranheza em outra pessoa. Tem muitas meninas que ficam perguntando como é a Índia. Se você estiver planejando ir para lá, segue abaixo algumas orientações.

1- Roupas

Acredito que essa seja a mais importante. Mas Joice isso é machismo, o corpo é meu, visto o que quero. Se você não quiser ter problemas na sua viagem, olhares te devorando, comentários nas ruas, piadinhas, passada de mão…. É bom seguir essa dica. Você tem que entender que você é uma estrangeira e já vai chamar atenção mesmo vestindo-se de forma discreta. Mais atenção ainda se tiver pele muita clara, loira e olhos claros. 

Prefira batas, blusas que cubram os ombros, calças mais largas, nada que marque o corpo. Nem pensar em decotes, blusa de alcinha, transparências, mostrar barriga, short curto, jeans muito colado, pernas de fora. Você não está no Brasil! Você está em uma cultura totalmente diferente que já julgam estrangeiras como fáceis. Então muito cuidado ao se apresentar.

Kurti. Acredito que essa roupa seja a melhor opção para o dia a dia. É uma bata longa, usada com calça legue ou uma calça mais larguinha. Pelas ruas e comércios você encontra com facilidade.

3- Saudações 

Nada de beijinhos, abraços, tentar ser melhor amiga de alguém que você acabou de conhecer.

Um Namastê com o gesto das mãos é perfeito. Ou mesmo um Hello seguido de um sorriso. Isso vai depender também do grau de intimidade que você tem com a pessoa. Mas em regra geral para primeiras apresentações use o Namastê. Eles gostam e são muito simpáticos ao verem que você sabe algo no idioma deles.

  

O Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração.

4- Visitas

Foi visitar alguém? Aceite algo do que te oferecer. Eles vão te oferecer água, chai, café, lassi, biscoitos, alguma comida, doces… Enfim, coma algo e mostre cordialidade. Na Índia ir na casa de alguém e não comer nada, dizer não para tudo é tido como uma ofensa, eles vão querer te agradar de todas as formas, então não fique com esse pensamento que algumas pessoas aqui do Brasil tem: “não quero dar trabalho”, “visita incomoda”. Não! Visita é como um Deus para eles. Eles gostam de receber e são excelentes anfitriões. 

E da mesma forma, recebeu alguém na sua casa? Então aja da mesma forma. Trate com carinho seus convidados.

Ah, tire os sapatos, são vistos como impuros.

5- Andar pelas ruas

Você já sabe a maneira mais adequada para se vestir na Índia. Agora ao sair nas ruas não seja a miss simpatia! Nada de sorrisinhos para estranhos, ou até mesmo em hotéis, restaurantes, principalmente se estiver sozinha! Se você fizer isso e sair sorrindo e puxando conversa como as vezes fazemos aqui no Brasil você será mal interpretada e vão achar que você está dando abertura para “algo a mais”. Fuja de multidões.

6- Biquíni 

Até em Goa que possui belíssimas praias não é aconselhável em algumas praias por biquíni. Verifique bem antes. Os indianos começam a te fotografar e é uma atração à parte. Nunca viram uma mulher de biquíni, você irá se sentir um E.T. Fora que sabe-se lá o que fazem com essas fotos.
7- Visitar templos

Mais uma vez cuidado redobrado com as roupas e sempre leve com você um echarpe para cobrir os ombros e em alguns templos até a cabeça. Nada de tirar fotos que desrespeite a religião deles. Tire os sapatos pois são considerados impuros.

  

8- Em público 

Nada de beber nas ruas, demonstrações de amor como beijos, nada disso. Alguns casais nem de mãos dadas andam. Mas não se espante se ver alguns homens de mãos dadas. É um gesto de amizade entre eles.
9- Binóculo.

É proibido o uso de binóculo nos centros urbanos. Alguns engraçadinhos estavam fazendo uso indevido e invadindo a intimidade alheia. Se for para um Safári, praia, montanha, uma viagem… tudo bem, mas nos centros urbanos não faça isso.

10- Use o bom senso em tudo e qualquer dúvida pergunte a um amigo, pesquise antes na internet o lugar que você vai visitar, se possui alguma regra específica. Mas saiba respeitar uma cultura diferente da sua. Aproveite sua viagem.

Índia- Estupros coletivos e a impunidade

Índia- Estupros coletivos e a impunidade

Essa semana na Índia o caso de mais um estupro está abalando o país. O carro de uma família foi rendido por bandidos, Mãe e Filha foram vítimas de estupro coletivo na Frente dos Familiares. Link da notícia aqui.

E muitos outros continuam acontecendo…

Outra vítima foi estuprada e os bandidos soltos, três anos depois voltaram a estuprar a mesma menina. Link da notícia aqui.

Vídeos de estupro coletivo são vendidos livremente. Link da notícia aqui.

Não é crime estuprar a esposa na Índia. Link da notícia aqui.

Após estupro mulheres tem que passar por ritual purificante. Link da notícia aqui.

O que pensar diante de notícias tão chocantes?

Seis mulheres são vítimas de um crime a cada minuto na Índia. Após a morte da estudante em Delhi no ano de 2012 as coisas não melhoraram na Índia e as leis aprovadas após o crime possui muitas brechas. O caso dela teve repercussão mundial e foi classificado como estupro mortal se enquadrando na categoria de “caso extraordinário entre os extraordinários”. A discussão pela pena de morte ainda é contraditória e a Anistia Internacional se opõe à pena de morte. Alegam não ser uma punição efetiva, que vai gerar ainda mais impunidade e longos processos. E dizem mais, alegam ser a forma mais cruel e desumana de punição, é uma violação do direito humano fundamental – o direito à vida.

Muitos crimes acontecem diariamente e como fica a vida dessas mulheres, dentro de uma cultura que ainda condena a vítima de ter sofrido o abuso? Que quando vai procurar ajuda é intimidada, humilhada e sofre muitas ameaças. Os criminosos estão tão certos de que não haverá punição que utilizam a cultura do medo, dizendo que vão espalhar os vídeos na internet (e já os vendem). Dessa forma a vítima não faz a denúncia e quando faz volta atrás depois de receber ameaças.

Uma mulher que sofre esse tipo de crime, após todo o trauma, dor e vergonha muitas vezes tem que sofrer calada, já que na cultura deles ela é a culpada e a família não denúncia o crime, pois se sentem envergonhados, será uma desonra para o nome da família e isso pode comprometer um casamento futuro dela ou dos irmãos da vítima.

Do outro lado desses casos trágicos, também tem os casos que a mulher inventa que sofreu abusos e violência para incriminar o marido. Sim, verdade, tem também. É uma situação muito delicada.

No aeroporto uma amiga chegou a comprar um livro do Kama Sutra, que é um livro de posições sexuais. Folheando o livro vi que em uma das ilustrações estava lá o estupro coletivo. E ainda na descrição: “Muitos homens jovens desfrutam de uma mulher que pode ser casada com um deles, um após o outro, ou ao mesmo tempo. Deste modo, um deles a prende, outro aproveita dela, um terceiro usa sua boca, um quarto domina sua parte do meio, e dessa forma eles vão desfrutando várias partes dela alternadamente”.


Eu não acreditei quando vi e li o que li. Fiquei muito em choque ao ver isso em um livro, vendido livremente no Aeroporto Internacional de Mumbai. Como se fosse algo muito natural a cena de um estupro coletivo. Em Uttar paradesh / Bihar em algumas castas eles realmente compartilham as esposas, assim como está descrevendo na figura. Não sei se a prática ainda é feita pois apesar de ser ilegal, assim como o dote, o ultrassom, o aborto, discriminação por castas… Muita coisa continua acontecendo livremente. Fico me perguntando como essa editora não fez a revisão desse livro, como isso pode ser aceito como “normal”?! Isso traz uma imagem muito negativa do país. Dão a entender que concordam e aceitam tal crime?! Como mulher me senti muito triste e indignada.

Essa cultura do estupro é algo fora de controle. A população está cansada e já são inúmeras vozes pedindo por justiça, por segurança. O país precisa de uma reestruturação total nas leis, apoio às vítimas, investir na educação das crianças e ter campanhas de conscientização para todo o povo. Governo e a polícia estão sendo cobrados, a violência contra a mulher não é apenas um problema na Índia, os casos aqui no Brasil também são assustadores. Países com uma violência tão enraizada é preciso mudanças drásticas. Todos queremos um futuro melhor para nossas meninas, um futuro de esperança e respeito.